Papel de Portugal no ciclo das Grandes Navegações

1415 - Conquista de Ceuta

"[...] Vendo El-Rei seus filhos em idade para tomarem a ordem da cavalaria, determinou fazer todo um ano festas e justas e torneios [...] mas os infantes não se satisfaziam com isto [...]. Estando os Infantes [...] tratando um dia desta matéria, e dando disso parte a João Afonso, d'El-Rei [...] lhes disse que se tal vontade tinham lhes indicaria uma coisa em que eles bem e honradamente pudessem mostrar que eram filhos de seu pai e que aquilo era a cidade de Ceuta que tanto mal fazia aos cristãos que passavam o Estreito [...] Os infantes[...] se entusiasmaram tanto que logo o propuseram a El-Rei. Duarte Nunes de Leão, (adaptação) "Piedosa coisa era ouvir os gemidos daqueles mouros depois que foram afastados da sombra dos muros da sua cidade [...] chorando a sua perdição [...] - Oh! diziam eles, cidade de Ceuta, flor de todas as outras da terra de África! Onde acharão os teus moradores [...] daqui em diante, os mouros estranhos que vinham da Etiópia e de Alexandria [...] e das Índias e doutras muitas terras [...] cansados de tantas e tão ricas mercadorias? Onde acharão eles outro lugar semelhante onde possam lançar suas âncoras? [...]Quais de nós acharão agora, quando se levantarem das suas casas, as bestas carregadas de seda que nos vinha da cidade de Damasco ou as casas cheias de pedras preciosas das da comunidade de Veneza, ou os grandes sacos de especiaria que nos vinham dos desertos da Líbia?

1418 - Descoberta da ilha de Porto Santo

"Voltou o Infante D. Henrique de Ceuta tão animado para descobrir novos mares e terras que [...] depois de bem instruído em tudo o que dizia respeito à geografia e de ter interrogado muitas pessoas que viajaram pelo mundo [...] enviou João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz, cavaleiros de sua casa, num pequeno navio, com instruções para percorrerem a costa até vencer aquele formidável cabo[...]. Antes de chegarem à costa de África passaram tais trabalhos, que temeram ser tragados pelas ondas. O vento obrigou-os a afastar-se e foram ter sem saber aonde, à ilha a que deram o nome de Porto Santo, porque assim lhes pareceu ele depois da tormenta que passaram:" Manuel Faria e Sousa, "Ásia Portuguesa" (adaptação)

1419 - Descoberta da Ilha da Madeira

"Pouco tempo depois mandou o Senhor Infante uma Caravela para visitar a ilha descoberta de Porto Santo [...] E passaram além directamente à ilha chamada da Madeira [...]. Estava toda cheia de árvores, cedros e outras espécies.[...]. Não muito tempo depois, um cavaleiro[...] de nome João Gonçalves Zarco pediu a Capitania daquela ilha ao Senhor Infante , dizendo que iria para ali com sua mulher e família e a povoaria. Agradou isto ao senhor Infante e preparou Caravela , mandando porcos, ovelhas e outros animais domésticos [...] Começaram a semear trigo e aveia e era tão fértil o solo que uma medida dava cinquenta e mais [...] Pouco tempo depois um cavaleiro de nome Tristão pediu ao senhor Infante, que lhe desse a outra parte da ilha da Madeira [...] E ficou a ilha repartida assim: a parte ocidental, Funchal, ficou para João Gonsalvez a qual é muito fértil e onde há trigo com fartura, óptimo vinho, canas-de-açúcar, de que fabricam açúcar em tal quantidade que é exportado[...] A parte oriental da ilha, Machico, ficou pertencendo a Tristão Teixeira onde também cresce tudo o que se disse [...]." Diogo Gomes, "A Relação dos Descobrimentos da Guiné e das Ilhas" (adaptação)

1420 - D. Henrique, administrador da Ordem de Cristo

"[...] Este Príncipe (D. Henrique) depois da tomada de Ceuta sempre trouxe navios armados contra os infiéis: e porque ele tinha vontade de saber a terra que ia além das ilhas de Canária e de um cabo que se chama de Bojador porque até aquele tempo nunca foi sabido a qualidade de terra que ia além deste cabo [...] Considerou que achando-se naquelas terras alguma povoação de cristãos ou alguns portos em que sem perigo pudesse navegar, poder-se-iam trazer para o reino muitas mercadorias que se haveriam de bom mercado[...] [...]A terceira foi que se dizia que o poderio dos mouros daquela terra de África era muito grande e não havia entre eles cristãos. E porque todo o sensato deve querer saber o poder do seu inimigo, trabalhou o dito senhor de o mandar saber [...]. A quarta razão foi porque de XXXI anos que guerreava os mouros nunca achou rei cristão [...] que o quisesse à dita guerra ajudar. Queria saber se se achariam naquelas partes alguns príncipes cristãos que o quisessem ajudar contra aqueles inimigos da fé. A quinta razão foi o grande desejo que havia de acrescentarem a Santa Fé de Nosso Senhor Jesus Cristo e trazer a ela todas as almas que se quisessem salvar." .

1421 - Viagens para além do Cabo Não

"[...] Nunca foi alguém que ousasse passar aquele cabo do Bojador para saber a terra de além, como o Infante desejava. E isto para dizer a verdade, não era com falta de fortaleza nem de boa vontade, mas pela novidade do caso, misturada com a geral e antiga fama a qual ficou entre os mareantes quase por sucessão de gerações [...] - Como passaremos- diziam eles- os limites dos nossos pais, que proveito pode trazer ao Infante a perdição das nossas almas juntamente com os corpos? Depois deste cabo não há gente nem povoação alguma; a terra é arenosa como os desertos onde não há água, nem árvore, nem erva verde; e o mar é tão baixo que a uma légua de terra não tem de fundo mais que uma braça, as correntes são tamanhas que navio que lá passe nunca mais poderá voltar. E portanto os nossos antecessores nunca se aventuraram a passá-lo.".

1427 - Descoberta dos Açores

"[...] Viram terra a ocidente além do cabo Finisterra uma trezentas légua que eram ilhas, entraram na primeira desabitada e acharam muitos açores e muitas árvores; e foram à segunda que era chamada ilha de S. Miguel, também despovoada e com muitas árvores e açores, onde além disto encontraram muitas águas quentes naturais de enxofre. Daí viram outra ilha agora chamada Terceira [...] cheia de arvoredos e muitos açores. E descobriram ali perto outra ilha, agora chamada Faial. E imediatamente outra ilha a duas légua da ilha do Faial, agora chamada ilha do Pico; esta ilha é um monte de sete légua de altura [...] Os navios voltaram a Portugal, anunciando a notícia ao senhor D. Henrique que se alegrou muito." Diogo Gomes, "A Relação dos Descobrimentos da Guiné e das Ilhas" (adaptação)

1434 - Passagem do Cabo Bojador

"Com grande paciência recebia sempre o Infante [...] aqueles que enviava por capitães de seus navios em busca daquela terra [...]. Finalmente, depois de doze anos, fez o Infante armar uma barca da qual deu a Capitania a um Gil Eanes , seu Escudeiro [...] e o encarregou que se trabalhasse de passar aquele cabo [...] como de facto fez, desprezando todo o perigo, dobrou o Cabo a além onde achou as coisas muito pelo contrário do que ele e outros até ali pensavam [...]" , [...] Este Cabo Bojador é muito perigoso por causa de uma grande restinga de pedra que dele sai ao mar alto mais de quatro ou cinco légua, no qual já se perderam muitos navios [...] [...] Espantando-se das grandes correntes, nenhum navio ousava de se alargar ao mar e passar para além desse baixio [...]. No ano de 1434, o Infante mandou armar uma barca em que enviou por capitão, Gil Eanes[...]. Este foi o primeiro capitão que passou além do Cabo Bojador "Duarte Pacheco Pereira, "Esmeraldo de Situ Orbis" (adaptação)

 

 

1434 - Lei Mental

"[...] determinou e mandou que todas as terras, bens e herdamentos da coroa de seus reinos, que por ele ou pelos reis foram, ou [...] fossem dadas e doadas a quaisquer pessoas [...] ficassem sempre inteiramente, por morte do possuidor dos tais bens e terras, ao seu filho legítimo varão maior que dele ficasse, e não ao neto filho do filho mais velho falecido [...] Que as terras da coroa do reino não fossem partidas entre os herdeiros [...] e quando for morte do possuidor das terras [...] não ficasse tal filho varão [...] a quem devessem ficar, se ficasse alguma filha, as não pudesse herdar [...]." "Ordenações e Leis do Reino de Portugal" (adaptação)

1436 - Descoberta do rio do Ouro e Pedra da Galé

"E navegando por sua viagem chegou a [...] uma foz como se fosse de rio. [...] E porque entre as coisas que Afonso Baldaia levava assim eram dois cavalos [...] fê-los logo pôr em terra e mandou aos moços que cavalgassem naqueles cavalos e fossem por terra quanto pudessem [...] Partiram com grande esforço, seguindo ao longo daquele rio por espaço de sete léguas, onde acharam 19 homens todos juntos [...] mas aquela gente não conhecida acolheu-se a uns rochedos onde estiveram pelejando com os moços por bom espaço [...] até que o Sol começou a mostrar os sinais da noite, por cuja razão se tomaram a seu navio." ´

1438 – Cortes de Leiria

"[...] se destruísseis esta cidade (Ceuta) em vez de a manter e defender [...] por certo o vosso feito não pareceria de rei, mas de algum poderoso corsário[...] Dizem, Senhor, que não vos convirá de fazerdes despesas e espalhamento de gentes, que podem fazer falta em vosso Reino [...] A isto se pode responder que quanto às gentes é muito melhor e mais proveitoso ser esta cidade mantida que destruída, porque entre as coisas que à cavalaria mais aproveita está o exercício das armas, no que os homens não só fortalecem os seus membros, mas ainda os corações [...]" "Mas se tomássemos Tânger, Alcácer, Arzila, queria, senhor, saber que lhe faríeis, porque povoá-las com reino tão despovoado e tão minguado de gente como é este vosso, é impossível; e se quisésseis fazer seria torpe comparação, como de quem perdesse boa capa por mau capelo, pois era certo perder-se Portugal e não se ganhar África." Opiniões do Infante D. Henrique e do Infante D. Pedro sobre a Expansão Marroquina (adaptação)

1439 - Povoamento dos Açores

"Chegando à primeira lançaram ali muitos animais tais como porcos, vacas, ovelhas, etc. Foram depois à ilha de S. Miguel, lançaram aí igualmente porcos, vacas, ovelhas, dos quais há aí uma multidão, de modo que todos os anos daí trazem gado para Portugal. Igualmente há aí tanta quantidade de trigo que todos os anos ali vão navios e trazem trigo para Portugal." Diogo Gomes, "A Relação dos Descobrimentos da Guiné e das Ilhas" (adaptação)

1441 - Desembarque de escravos em Lagos

"[...] começaram os marinheiros a tirar os escravos que tinham trazido para os levarem como lhes fora mandado [...]. Uns tinham as caras baixas e os rostos lavados em lágrimas, outros estavam gemendo dolorosamente, [...] outros faziam as suas lamentações em maneira de canto [...]. Mas, para a sua dor ser mais acrescentada, chegaram os que estavam encarregados da partilha e começaram a separá-los uns dos outros, a fim de fazerem lotes iguais. Por isso havia necessidade de se separarem os filhos dos pais, as mulheres dos maridos e os irmãos uns dos outros [...]. As mães apertavam os filhos nos braços para não lhes serem tirados [...]."

1445 - Reino do Senegal

"Produzem-se neste Reino diferentes castas de animais, principalmente cobras grandes e pequenas, algumas das quais são venenosas, outras não. Entre as grandes, há as de dois palmos e mais de comprido; mas não têm asas nos pés como dizem ter as serpentes, porém são grossas de sorte que encontramos algumas que engolem uma cabra inteira sem a partir. Neste Reino do Senegal não se encontram outros animais domésticos senão bois, vacas e cabras,não tem ovelhas, nem lá poderiam viver por causa do grande calor. Porém Deus Nosso Senhor proveu deste modo a cada um, segundo as sua necessidades, porque nós, que vivemos no frio não podemos passar sem a lã, e os Negros, que nascem em um país quente, e que não têm necessidade de vestidos, não lhes deu Deus ovelhas, mas sim algodão. Os animais de rapina silvestres são leões e leoas e leopardos, em grande quantidade; e lobos, bodes bravos e lebres; há também elefantes silvestres; porque não usam domesticá-los e estes elefantes andam em manada como os porcos entre nós nos bosques. (O elefante) é um animal de corpo grandíssimo e pernas curtas, e da sua grandeza se pode fazer ideia pelos dentes de marfim dos quais não tem senão dois [...]" Cadamosto, "Navegação de Usodimare

e Cadamosto" (adaptação)

..\cronologia/crono_1426_1450.html - 1446-Viagem_a_costa_africana_e_descoberCronologia..\cronologia/crono_1426_1450.html - 1446-Viagem_a_costa_africana_e_descober

1446 - Descoberta do rio Gâmbia

"Nuno Tristão percorreu mais sessenta léguas para além de Cabo Verde e, chegando à foz do Rio Grande, seguiu por ela com seu batel. Andando um pouco descobriu oitenta negros em treze canoas que divididos em boa ordem o cercaram primeiro e depois cobriam-no com uma nuvem de flechas de tal forma envenenadas que causaram a morte de quase todos os seus companheiros, antes de chegarem à, Caravela retirando-se ou fugindo [...] Só quatro pessoas que ficaram na embarcação a trouxeram para o Reino, depois de vaguear dois meses sobre as ondas." Manuel de Faria e Sousa, "Ásia Portuguesa" (adaptação) "O acaso fez-me embarcar numa Caravela que saía para a Guiné. Percorri mais de 800 milhas onde jamais foi algum cristão. Encontrei o rio Gâmbia que tem um estuário muito largo; desejei subi-lo porque sabia que o ouro e o grão de pimenta se recolhem nesta região. mas os pescadores da terra atacaram-nos com flechas envenenadas. A cerca de 60 léguas, mais longe, um senhor negro deu-me 30 escravos e alguns dentes de elefantes, papagaios e um pouco de almíscar, em troca de alguns tecidos. Além disso, ele enviou connosco ao rei de Portugal um secretário para negociar a paz com o rei de Gâmbia. Mais tarde, voltei a fretar uma Caravela na qual trouxe um carregamento para o proveito do senhor Infante, e com isso espero equilibrar meus negócios." Extracto de um relatório de um comerciante genovês à sua companhia (adaptação)

..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1455-Construcao_da_fortaleza_de_ArguimCronologia..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1455-Construcao_da_fortaleza_de_Arguim

1455 – Fortaleza de Arguim

"O Senhor Infante fez nesta Ilha de Arguim um contrato por dez anos deste modo: que ninguém pudesse entrar no golfo de Arguim para comerciar com os árabes [...] o qual Infante tem uma feitoria na dita ilha e feitores que compram e vendem àqueles árabes[...] dando-lhes diversas mercadorias como são panos [...] prata[...] e sobretudo trigo [...] e recebem em troca negros que os árabes trazem da Nigéria, e ouro; de modo que este senhor Infante faz actualmente trabalhar em uma Fortaleza da dita ilha para conservar este comércio para sempre. E por esta razão, todos os anos vão e vêm Caravelas de Portugal à ilha de Arguim [...] de modo que se trazem para Portugal setecentos e oitocentos escravos ." Cadamosto, "Navegação Primeira de Uso di Mare" (adaptação)

..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1455-Bula_do_Papa_Nicolau_V_sobre_o_domCronologia..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1455-Bula_do_Papa_Nicolau_V_sobre_o_dom

1455 - Bula sobre o domínio dos mares

"[...] Pela presente carta damos, concedemos e atribuímos, em propriedade perpétua ao dito Rei D. Afonso, aos seus sucessores que viverem no dito reino e ao Infante, as províncias, ilhas, portos, lugares e mares já adquiridos ou que de futuro eles vierem a adquirir [...] desde o Cabo Bojador e o Cabo Não [...] Dispomos, além disso, que sem especial licença do mesmo rei D. Afonso, dos seus sucessores ou Infante , não possam naqueles mares navegar, transportar mercadorias, ou mandar navegar ou neles pescar [...].".

..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1456-Viagem_de_exploracao_dos_rios_da_GCronologia..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1456-Viagem_de_exploracao_dos_rios_da_G

1456 - Exploração dos rios da Guiné

"[...] Dois anos depois o senhor rei Afonvo V armou uma grande Caravela onde me mandou por capitão [...] e tinha um quadrante, quando fui a estes países e escrevi na tábua do quadrante a altura do pólo árctico e achei aí melhor do que na carta. É que na carta aparece o caminho de navegar, a rota do navio, mas, muitos erros juntos, nuncam levam ao propósito principal." " E a meio da maré ficou o mar bastante manso e vieram os mouros da terra nas suas almadias e nos trouxeram suas mercadorias, a saber: panos de seda ou algodão, dentes de elefante e uma quarta de malagueta em grão e nas suas cascas tal como cresce com o que muito me alegrei [...]. E tomámos terra, onde próximo da praia há muitas palmeiras que tinham os ramos quebrados e eram de grande altura [...] e fomos ali e achámos uma terra cheia de pastagens. E naquele campo vimos mais de cinco mil miongos, como os pretos dizem em sua língua, que são animais pouco maiores que veados. E de ali vimos sair dum rio pequeno, coberto de arvoredo, cinco elefantes [...] E achámos na praia muitas tocas de crocodilos e voltámos aos navios. No outro dia tomámos caminho de Cabo Verde. " Diogo Gomes, "A Relação dos Descobrimentos da Guiné e das Ilhas" (adaptação)

..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1459-Publicacao_de_um_Mapa_de_AfricaCronologia..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1459-Publicacao_de_um_Mapa_de_Africa

1459 - Publicação de um Mapa de África

"As cavelas depois de dobrarem o Cabo Bojador, navegaram para além [...] e acharam que esta costa corre sempre para Sul e que está toda recortada por pontos de terras e baías [...] O que se achava marcado no mapa-mundi, acerca desta costa, não era verdadeiro; estava indicado ao acaso, mas o que está agora marcado nos mapas, não contem senão coisas verdadeiras. " Gomes Eanes de Azurara, "

..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1460-Viagem_de_exploracao_e_descoberta_Cronologia..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1460-Viagem_de_exploracao_e_descoberta_

1460 - Descoberta de Cabo Verde

"Neste mesmo tempo [...] se descobriram as ilhas a que hora chamamos de Cabo Verde, por um António de Nolle, genovês de nação e homem nobre, que [...] veio a este reino com duas naus e um barinei, em companhia do qual vinha um [...] seu irmão e um [...] seu sobrinho. Aos quais o Infante deu licença que fossem descobrir e do dia que partiram da cidade de Lisboa a dezasseis dias foram ter á ilha de Maio; à qual puseram este nome porque a viram em tal dia. E [...] descobriram as outras [...] que por todas são dez, chamadas por comum nome ilhas de Cabo Verde por estarem ao poente dele por distância de cem léguas [...]."João de Barros, "Décadas da Ásia" "Houveram vista de terra maravilhando-se [...] Foram a uma [ ilha ] e lançaram gente fora para verem se havia povoação e não acharam. Foram à segunda, não acharam rasto de gente [...]. As outras Caravelas viram as outras ilhas porém nenhuma delas povoadas, senão grande multidão de aves e grande pescaria". Valentim Fernandes, "Manuscritos" (adaptação)

..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1469-Contrato_sobre_o_Comercio_da_GuineCronologia..\cronologia/crono_1451_1475.html - 1469-Contrato_sobre_o_Comercio_da_Guine

1469 - Contrato com Fernão Gomes

"Neste tempo o negócio da Guiné andava já mui corrente entre os nossos e os moradores daquelas partes, e uns com os outros se comunicavam entre as cousas do comércio com paz e amor. Como El-rei pelos negócios do reino andava ocupado, em Novembro do ano de mil quatrocentos e sessenta e nove arrendou o negócio da Guiné por tempo de cinco anos a Fernão Gomes, um cidadão honrado de Lisboa, por duzentos mil réis cada ano, com condição que em cada um destes cinco anos, fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas, de maneira que no cabo do seu arrendamento, desse quinhentas léguas descobertas. O qual descobrimento havia de começar na Serra Leoa.que fora o último dos descobrimentos E entre outras condições que se continham neste contrato, era que todo o marfim havia de ser del-Rei, a preço de mil e quinhentos reais por quintal." João de Barros , "Décadas da Ásia" (adaptação)

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1481-Subida_ao_trono_de_D_Joao_IICronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1481-Subida_ao_trono_de_D_Joao_II

1481 - Retrato de D. João II

«Foi D. João II homem de corpo maior que pequeno (...). Teve cabelos castanhos e escorridos, porém, na idade de 37 anos, tinha já os cabelos e a barba brancos, de que mostrava grande contentamento pela muita autoridade que os cabelos brancos acrescentavam à sua dignidade real (...). Era todo muito alto, salvo o rosto em que era coroado de boa maneira(...). A confiança que tinha na sua inteligência faziam-no muitas vezes confiar de mais no seu saber, e aceitou menos do que devia os conselhos dos outros (...). Foi príncipe muito justo e amigo da justiça e na execução dela mais rigoroso e severo do que piedoso, executando a justiça sem excepção para pessoas de baixa ou alta condição (...). Durante a sua vida foi tido por seco no comportamento e pouco humano e não pareceu ser, enquanto viveu, tão amado e estimado por todos como foi depois da sua morte (...). Foi extraordinário cavalgador (...) bom dançante e ágil em todas as danças. Foi grande caçador (...). Foi homem que comeu bem, porém nunca mais de duas vezes ao dia (...). E as coisas relativas à sua honra e ao seu estado /à sua condição de rei/ quis que sempre lhe fossem feitas com grande veneração e muita obediência. Nessas coisas parecia sempre esquecer-se que era um homem /uma pessoa como as outras/ e nunca senhor (...). Acabou a sua vida com a idade de quarenta e sete anos e seis meses dos quais vinte e cinco anos foi casado com a Rainha D. Leonor, sua única mulher(...).

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1482-Fundacao_da_fortaleza_de_S_Jorge_dCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1482-Fundacao_da_fortaleza_de_S_Jorge_d

1482 – Fortaleza de S. Jorge da Mina

"E sabendo que na terra onde acudia o resgate do ouro, folgavam os negros com panos de seda, de lã, de linho e outras coisas [...] ordenou que a Fortaleza de S. Jorge da Mina se fizesse naquela parte onde os mouros ordinariamente faziam o resgate do Ouro."João de Barros , "Décadas da Ásia"

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1483-Execucao_do_Duque_de_BragancaCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1483-Execucao_do_Duque_de_Braganca

1483 - Execução do Duque de Bragança

"D. João II, pela graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves daquém e dalém-mar em África e senhor da Guiné [...] Sabede que perante nós na nossa Corte se tratou um processo [...] contra D. Fernando, duque de Bragança. O dito Duque era tido e obrigado a guardar-nos toda a lealdade e fidelidade e a calar nossos segredos [...] Ele o não fazia, sendo desleal e desobediente a nós e a nosso real Estado [...] Acordamos que o dito duque seja degolado na praça desta cidade [...] e havemos por confiscados para a Coroa todos os seus bens [...]." Condenação do duque de Bragança

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1483-Continuacao_da_viagem_e_descobertaCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1483-Continuacao_da_viagem_e_descoberta

1483 - Viagem ao Rio Zaire

"[...]D. João II, desejando o descobrimento da India e Guiné que o Infante D. Henrique seu tio, primeiro começou, mandou a sua frota à dita costa , e por capitão-mor dela mandou Diogo Cão, cavaleiro de sua casa [...] [...] O qual indo pela dita costa foi ter ao rio Congo que é um dos grandes que no mundo se sabe de água doce [...]Diogo Cão determinou mandar ao rei da terra um presente e mandou-lhe dizer que a armada era do rei de Portugal que com todo o mundo tinha paz e amizade [...] Chegaram ao rei do Congo e foram por ele recebidos com muita honra muito prazer e alegria e espanto e folgou tanto de os ver e perguntou-lhes pelas coisas de cá que os não podia despedir de si e deixá-los tornar à frota. E pela muita tardança sua pareceu ao capitão que deviam estar cativos ou mortos. E vendo que os negros de terra se fiavam dele e entravam já nos navios, determinou não esperar os que mandara, e partir-se com alguns daqueles negros, e assim fez. E se veio com eles para Portugal, não os trazendo como cativos mas com fundamento que, depois de aprenderem a língua e os costumes nossos, tornariam ao Congo " Garcia de Resende, ..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1484-Fundacao_de_uma_feitoria_no_BenimCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1484-Fundacao_de_uma_feitoria_no_Benim

1484 – Feitoria no Benim

"Em cada ano arma El-Rei nosso senhor (D.joão II) por ordenança, doze navios pequenos que vão carregados de mercadorias, os quais a este reino trazem o ouro que o feitor de sua Alteza lá resgata [...]. os escravos ..\dicionario/dicionario_ej.html - Escravo

são comprados pela nossa gente que o sereníssimo Rei em seus navios manda duzentas léguas além deste castelo (da Mina) em uns rios onde está uma muito grande cidade, o Benim [...]. Nem convém que disto mais digamos [...] somente que este comércio é de El-Rei nosso Senhor." ..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1485-Viagem_de_descoberta_do_rio_Zaire_Cronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1485-Viagem_de_descoberta_do_rio_Zaire_

1485 - Viagem ao rio Zaire à Serra Parda

"Chegado Diogo Cão ao Congo foi recebido pelos da terra com muito prazer vendo os seus naturais que ele trouxera vivos e tão bem tratados os que levara, pedindo-lhes Diogo Cão em troca os portugueses que lá tinham ficado. El-Rei do Congo mandou a El-rei ( D. João II ) por seu embaixador Caçuta, homem muito importante que depois de ser cristão teve o nome de D. João Silva, e alguns moços, com um presente de muitos dentes de elefante e cousas de marfim lavradas e muitos panos de palma bem tecidos e com finas cores por em sua terra não haver outras coisas. E lhe pedia que lhe mandasse logo frades e clérigos e todas as coisas necessárias para ele e os seus receberem água do baptismo. E assim lhe mandasse pedreiros e carpinteiros para lhes fazerem igrejas [...] e também lhe mandasse lavradores para lhe domesticarem bois e lhe ensinarem a aproveitar a terra, e assim algumas mulheres para ensinarem as do seu reino a amassar o pão, porque ficaria muito contente que as coisas do seu reino se parecessem com as de Portugal. [...] E lhe pedia por mercê que certos moços pequenos do seu reino que lhe mandava os mandasse logo fazer cristãos e ensinar a ler e a escrever. [...] El-Rei D. João [...] estando em Beja, levou o embaixador Caçuta à pia baptismal para o fazer cristão e assim aos moços que com ele vieram, e a Rainha foi a madrinha, vestindo-se ela e El-Rei de festa." Garcia de Resende, ..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1486-Cristovao_Colombo_muda-se_para_CasCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1486-Cristovao_Colombo_muda-se_para_Cas

1486 - Cristovão Colombo muda-se para Castela

"[...] Cristóvão Colombo [...] viu [...] que por este mar ocidental se podia navegar, até que fosse dar nesta ilha de Cipango. El-Rei dava-lhe pouco crédito. E despedido de El-Rei se foi para Castela [...]. a três dias do mês de Agosto de 1492 e deste dia a dois meses e meio [...] viram a a ilha de Cuba e dela à de Haiti e trazendo consigo dez ou doze naturais daquela terra, fez-se na volta de Espanha e chegou a Lisboa a 6 de Março do ano seguinte [...]"João de Barros , "Décadas da Ásia"

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1487-Viagem_por_terra_a_IndiaCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1487-Viagem_por_terra_a_India

1487 - Viagem por terra à Índia

"El-Rei D.joão II falou em grande segredo dizendo que esperava dele, Pero da Covilhã, um grande serviço; o qual serviço era que ele e outro companheiro, Afonso de Paiva, lhe haverem de saber onde acham a canela e as outras especiarias que daquelas partes iam a Veneza por terras de mouros. E partindo a 7 de Maio de 1487 foram ter a Barcelona e dali a Nápoles. E por passarem como mercadores compraram muito mel e outras mercadorias e se foram ao Cairo. Afonso de Paiva foi para a Etiópia e Pero da Covilhã para a Índia. E foi a Calecut e a Goa e a Ormuz e tornou ao Cairo. E logo aí, Pero da Covilhã, escreveu como tinha descoberto a canela e a pimenta na cidade de Calecut e que o cravo vinha de fora, mas que tudo ali havia. E que se poderia bem navegar vindo à costa de Sofala e dali à costa de Calecut." ..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1487-Viagem_de_descoberta_da_passagem_dCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1487-Viagem_de_descoberta_da_passagem_d

1487 - Passagem do Cabo da Boa Esperança

"Bartolomeu Dias deteve-se cinco dias na Angra das Voltas. Partidos daqui, o mau tempo os fez correr treze dias, e vieram demandar a terra do rumo de leste. Porém, vendo que alguns dias navegavam sem dar com ela, carregaram sobre o rumo norte com que vieram ter a uma angra a que chamam dos Vaqueiros. A gente vinha cansada e requereu que não passassem mais avante. Partidos dali, houveram vista daquele grande e notável cabo, ao qual por causa dos perigos e tormentas em o dobrar lhe puseram o nome de Tormentoso, mas el-rei D. João II lhe chamou cabo da Boa Esperança, por aquilo que prometia para o descobrimento da Índia tão desejada. João de Barros, "Décadas da Asia" (adaptação)

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1494 – Tratado de Tordesilhas

"Porquanto, por mandado dos mui altos e mui excelentes príncipes, El-Rei D. Fernando e a Rainha D. Isabel [...] foram descobertas algumas ilhas e poderiam daqui em diante descobrir e achar outras ilhas e terras sobre as quais pelo direito e razão que nisso temos, poderiam surgir entre nós todos os nossos reinos debates e diferenças[...] [...] Desejamos por se buscar, procurar e conservar maior paz e mais firme concórdia e sossego, que o mar em que as ditas ilhas estão e foram achadas se parta e demarque entre nós todos em alguma boa certa e limitada maneira[...] Carta dada por D.João II aos embaixadores de Portugal no Tratado de Tordesilhas, (adaptação) "[...] Na vila de Tordesilhas, aos sete dias do mês de Junho, a no do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1494 [...] o dito senhor Rei de Portugal [...] com os ditos senhores Rei e Rainha de Castela e Aragão [...] outorgaram e consentiram que se trace e assinale pelo dito mar oceano, uma raia ou linha direita de pólo a pólo [...] a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde para a parte poente [...] e que tudo o que aí for achado e descoberto desde a dita raia e linha para a parte levante [...] que tudo seja e fique pertença do dito senhor rei de Portugal e de seus sucessores [...] e que tudo o resto desde a dita raia [...] indo pela parte poente [...] fique pertença dos senhores rei e rainha de Castela e Leão e a seus sucessores para sempre [...]."Tratado de Tordesilhas Chancelaria de D.João (adaptação)

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1496 - Expulsão dos Judeus

"Os judeus vi cá tornados todos num tempo cristãos [...] vimos a destruição dos judeus tristes errados que de Castela lançados foram com gram maldição." Garcia de Resende, "Miscelânea

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1497-Partida_das_naus_para_a_primeira_vCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1497-Partida_das_naus_para_a_primeira_v1497 - Partida para a Índia

"Pelo grande desejo que El-rei D. João II sempre teve do descobrimento da Índia, no que muito tinha feito e descoberto até além do Cabo da Boa Esperança, tinha pronta a armada para descobri-la e por capitão-mor delaVasco da Gama , fidalgo de sua casa, e por falecimento de El-Rei a dita armada não partiu. E El-Rei D. Manuel, logo que reinou, mandou partir a dita armada, assim como estava preparada, pela mesma ordenança, e os mesmos regimentos que estavam feitos, e por capitão o mesmo Vasco da Gama[...] que com a ajuda de Deus e seu esforço como valentecavaleiro, com grandes perigos e trabalhos a descobriu." Garcia de Resende

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1497-Utilizacao_da_nauCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1497-Utilizacao_da_nau

1497 - Utilização da nau

"[...] Mandou el-Rei nosso Senhor que para este descobrimento e viagem se fizessem quatro navios pequenos, que o maior não passava de 100 tonéis , porque para terra não conhecida como aquela, não era necessário serem maiores, e isto se fez assim para que mais facilmente pudessem entrar e sair em todo o lugar, o que sendo grandes não podiam fazer. Os mantimentos de pão, vinho, farinhas, carnes, legumes e cousas de botica e assim armaria e bombardearia, tudo isto foi dado com grande fartura [...] e assim foram mandados nesta viagem os principais pilotos e mareantes e mais sabedores na arte da marinharia que se acharam nesta pátria. [...] Nesta viagem fizeram-se grossas despesas com tão poucas naus." Duarte Pacheco Pereira, Esmeraldo de Situ Orbis (adaptação) Mantimentos que uma nau levava,para um período de dez meses: biscoito 1074 quintais vinho - 115 pipas carne - 1086 arrobas água - 244 pipas sardinhas - 130 arrobas Figueiredo Falcão, Livro de Toda a Fazenda

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1498 - Chegada à Índia

"Ao tempo que Vasco da Gama chegou a esta cidade de Calecut [...] mandou a terra o piloto mouro e um degradado, participando a El-Rei a sua chegada e [...] pedindo-lhe que lhe mandasse dizer quando o podia receber [...] Havida esta licença [...] entraram todos numa grande casa térrea, em que estava aquele grande Samorim da província de Malabar.[...] o qual estava em uma sala grande. O chão desta sala era todo coberto de veludo verde e as paredes armadas de panos de seda e ouro de cores. El-Rei estava num leito coberto de um pano de seda branca e ouro, bem lavrado. Era homem de meia idade, baço, alto de corpo e de bom parecer e vestido com um pano lustroso de algodão com rosas de ouro na cabeça, uma carapuça de brocado alta cheia de pérolas e pedrarias. Tinha penduradas nas orelhas arrecadas e nos dedos dos pés e mãos muitos anéis [...] tudo de pérolas e pedraria de muito valor. Vasco da Gama nestas palavras resumiu o que lhe era mandado: "Que era a causa principal que movera El-Rei seu senhor a enviá-lo àquelas partes orientais [...] fora ser muito celebrada a fama da sua real pessoa e da grandeza do seu senhorios [...] e estarem em seu poder a maior parte das especiarias que, por mão dos mouros se navegavam para todas as partes da cristandade, e por que ele tinha descoberto novo caminho para entre eles haver amizade e comércio." Os mouros que estavam naquela cidade de Calecut por razão do comércio das especiarias , do qual negócio eram senhores, quando viram que a embaixada de Vasco da Gama era a fim do comércio destas especiarias ficaram muito tristes"

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1500 - Descoberta do Brasil

Pequeno extracto da Carta de Pero Vaz de Caminha

"[...] E assim seguimos [...] por este mar até que terça-feira [...] 21 dias deAbril topámos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas [...] topámos aves [...] houvemos vista de terra [...] a que o capitão pôs o nome de Terra da Vera Cruz. [...] Pela manhã fizemos vela e seguimos direitos à terra [...] avistámos homens que andavam pela praia. Afonso Lopes [...] meteu-se logo no batel e tomou dois deles. Um deles trazia um arco e seis ou sete flechas [...]. Trouxe-os logo ao capitão em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa. A feição deles é serem pardos [...] avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus [...] os seus cabelos são corredios [...] e um deles trazia uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas [...]. O capitão [...] estava com um colar de oiro ao pescoço. Um deles pôs o olho no colar do capitão e começou de acenar com a mão para terra e depois para o colar como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para o castiçal de prata e assim mesmo acenava para terra [...]. Mostraram-lhes um papagaio; tomaram-no logo na mão e acenaram para terra [...]. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela [...]. Ao Domingo de Pascoela, pela manhã, determinou o capitão de ir ouvir missa [...] e assim foi feito [...] Estavam na praia [...] obra de 60 [...] Vieram logo para nós sem se esquivarem [...] Pareceu-me gente de tal inocência que se homem os entendesse e eles a nós seriam logo cristãos [...]" .

(Adaptação)

..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1500-Continuacao_da_viagem_de_Pedro_AlvCronologia..\cronologia/crono_1476_1500.html - 1500-Continuacao_da_viagem_de_Pedro_Alv

1500 - Viagem à Índia

"Os mouros de Calecut receosos que os portugueses fossem dali por diante mais favorecidos por El-Rei e pelos da terra, começaram a buscar todos os meios que puderam para prejudicarem os nossos interesses, comprando secretamente as especiarias que havia na cidade ou vinham de fora. Pedro Álvarez Cabral, contrariado por haver já três meses que ali estava, mandou dizer a El-Rei que se lembrasse como lhe prometera carga para as suas naus , do dia que ali chegara até vinte dias mais tarde e que estas se carregariam primeiro que as outras que estavam no porto, mas que tudo se estava a fazer ao contrário, pois nem as suas naus eram carregadas nem o feitor podia comprar as especiarias e que mandasse resolver isto com brevidade pois já era tempo de partir. Deste recado mostrou-se El-Rei desgostoso, dizendo que de tal coisa não era sabedor, pois os mouros usavam com ele manhas e mesmo proibidos carregavam tudo secretamente e que lhe dava licença para das mesmas naus , pagando o custo, tomar as especiarias que lhe fossem necessárias. "